cover
Tocando Agora:

China pede para entrar em disputa do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC

Tarifas dos EUA mudam mapa das exportações brasileiras, aponta infográfico do g1 A China pediu à Organização Mundial do Comércio (OMC) para participar da...

China pede para entrar em disputa do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC
China pede para entrar em disputa do Brasil contra tarifaço dos EUA na OMC (Foto: Reprodução)

Tarifas dos EUA mudam mapa das exportações brasileiras, aponta infográfico do g1 A China pediu à Organização Mundial do Comércio (OMC) para participar das consultas entre Brasil e Estados Unidos sobre as tarifas adicionais impostas por Washington a produtos brasileiros. O pedido foi formalizado nesta segunda-feira (10) e está relacionado à disputa “Estados Unidos – Direitos Adicionais sobre Determinados Produtos do Brasil” (WT/DS646), aberta pelo Brasil em 30 de julho. Segundo o documento enviado pela delegação chinesa à OMC, Pequim afirma ter um “interesse comercial substancial” nas consultas porque a investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre trabalho forçado e os instrumentos usados para implementá-la também resultaram em medidas que atingem produtos de origem chinesa. Sem acordo com Brasil, EUA impuseram tarifas de 25% contra alguns produtos Joao Oliveira/Zoonar/picture alliance EUA respondem ao Brasil na OMC e dizem que estão 'à disposição' para discutir tarifaço Por esse motivo, a China solicitou formalmente que seja autorizada a participar das consultas entre Brasil e Estados Unidos, conforme previsto no artigo 4.11 do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, na sigla em inglês) da OMC. Uma cópia do pedido foi enviada às delegações brasileira e americana e ao presidente do Órgão de Solução de Controvérsias da organização. Brasil aciona OMC O Brasil acionou a OMC contra duas tarifas adicionais impostas pelos EUA. Uma delas, de 25%, foi justificada pelo governo de Donald Trump com o argumento de que o Brasil adotaria práticas consideradas desleais em relação a empresas americanas. A outra, de 12,5%, está relacionada ao entendimento americano de que o Brasil não teria fiscalizado adequadamente a entrada de produtos associados a trabalho forçado. Ao apresentar o pedido de consultas, o governo brasileiro argumentou que as medidas americanas são discriminatórias, unilaterais e incompatíveis com compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito da OMC. O que singifica a participação chinesa? A participação chinesa não significa, neste momento, que Pequim tenha aberto uma disputa própria contra os Estados Unidos. O pedido permite à China acompanhar e participar das consultas porque entende que as medidas discutidas no caso brasileiro também afetam seus interesses comerciais. As consultas são a primeira etapa formal do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. O procedimento permite que os países envolvidos tentem chegar a um acordo antes de uma eventual abertura de um painel para analisar o caso. Para o Brasil, o acionamento da OMC tem também um caráter político e institucional. Embora o governo brasileiro não espere necessariamente que o processo consiga reverter o tarifaço americano, diplomatas avaliam que levar o caso à organização registra a posição brasileira contra as medidas de Washington e demonstra a preferência do país pela solução multilateral de disputas comerciais. A entrada da China nas consultas acrescenta outro elemento à disputa, ao indicar que parte das medidas americanas questionadas pelo Brasil também tem impacto direto sobre o comércio entre Estados Unidos e China.